04 abril 2015

Relatos da Vida Real - Parte 2

postado por Cottage Regressiva

Boa tarde, tenho 36 anos e moro sozinha, mas minha família depende diretamente de mim. Eu não ganho lá essas coisas, mas tudo o que ganho preciso dividir com eles. Eu tento ser boa, tendo dar a eles tudo o que posso, inclusive, atenção, mas nada parece ser o suficiente. Eles vivem me ligando no meio do expediente, vivem me pedindo mais e mais, eu me sinto num beco sem saída. Queria tanto sair, ter um namorado, viver a minha vida, mas parece que vivo sufocada com as lamúrias alheias. Olha, eu amo minha família, mas eles me sugam tanto, que quando posso tirar uma folga, não aviso a ninguém. Me tranco em casa, faço um bolo com tudo o que tenho direito e devoro inteiro, no mesmo dia, pois sei que logo vou me arrepender e entrar em dieta na manhã seguinte. Estou uns 15 quilos acima do meu peso, às vezes penso que é por isso que não consigo me vestir melhor e ter um namorado. Me sinto diferente das outras que trabalham comigo. A verdade é que não suporto mais toda essa carga em cima de mim. Queria sumir e recomeçar do zero, mas não tenho coragem. Enquanto isso, faço da solidão minha melhor companheira. Perder peso acaba sendo um desses projetinhos em que consigo focar em mim, apesar dos poucos resultados...

Já perdi a conta de quanto dinheiro gastei com essa coisa toda do emagrecimento. Meu sonho atual é pesar menos de 99 quilos e fim. Sei que tem todo o processo de manter o peso, que dizem não ser dos mais fáceis também, mas pra mim já estaria bom lutar com a manutenção, ao invés de lutar contra a obesidade mórbida. Tem dias que minha vontade é a de não levantar da cama, mas respiro fundo e levo a vida da melhor forma que posso. Nem todos os dias venço a comida, ela vive me vencendo, mas eu sigo acreditando na vitória. Já não me iludo mais com consultas em novas nutricionistas, em dietas da moda que vem nas revistas, em seguir o que as amigas falam. Dieta pra mim tem que ser algo simples que eu possa dar conta. Não tenho tanto para gastar com tudo o que me mandam fazer e isso é bastante desestimulante. Fico pensando se os profissionais estão mesmo preparados para dar conta de um monte de gente com realidades tão diferentes. Eu, simplesmente, estou cansada de tudo isso. Será que algo me fará sentir aquele entusiasmo de novo pelo processo de volta, pelo processo de emagrecimento? Eu preciso tanto... 

Oi, como vai? Eu sou Lourdes. Estou em processo de emagrecimento e dou graças por todos que dividem suas histórias. Nelas eu vou tirando lições boas, lições ruins e vou aprendendo com minha própria experiência. Olha, eu acredito que pra quem tem muito peso a perder é um processo mais cansativo. Cada vez que você sai da linha é um recomeço doloroso. Eu não tenho meio termo. Para mim ou acerto ou erro em um dia. Eu daria tudo para passar 24 horas sem pensar em peso, comida, sem me olhar no espelho e me sentir uma coisa feia. Eu me sinto realmente diferente dos demais, menos interessante, menos merecedora. Talvez, minha autoestima tenha sido esmagada durante a minha criação tão dura, castradora, mas eu já sou uma mulher e preciso dar conta de mim. Bom, eu cheguei a pesar 127 quilos, hoje peso 92 e ainda não vejo diferença alguma - mesmo meus irmãos dizendo que tem diferença sim. Como eu não consigo usar as roupas que ainda quero, continuo me sentindo estranha. A única diferença que observo é que agora me respeito mais. Eu faço o mercado focada na pessoa que merece muito cuidado e carinho, eu organizo minha casa do jeito que me deixa confortável, eu só me relaciono com pessoas que são tão boas comigo como sou com elas. Antes eu queria encher a geladeira para receber os outros. Antes eu interagia com as pessoas e fazia parte dos famosos relacionamento de mão única, sabe? Eu que ligava, eu que chamava, eu que procurava e de retorno? Nada. Cortei essas ervas daninhas. Hoje me respeito mais e isso por si só já me dá aquela alegria de saber que é amor-próprio crescendo dentro de mim. Sei que meu caminho ainda é longo, mas eu estou melhorando e isso é ótimo.

Bom dia, escrever me dá a sensação de que estou buscando ajuda de alguma forma. Eu peso 141 quilos e estou com algumas doenças que vieram por conta da obesidade. Meu médico diz que assim que eu perder todo esse peso, todas as doenças sumirão junto. É meu sonho parar de tomar remédios com 29 anos. Por outro lado, eu tento começar mais um plano de dieta e perco o estímulo rápido. Só o fato de saber que tudo o que eu eliminar com um esforço danado, posso recuperar em um segundo, já me desanima... Eu sei que preciso ter paciência, que são muitos quilos a perder e que talvez eu demore pra ver no espelho, mas na prática é bem difícil pra mim. Então, estou optando pela cirurgia. Ainda não sei quando será, estou apenas no início de todo processo, mas estou confiante. Acho que o resultado mais rápido pode me motivar a mudar de vez de vida, a mudar minha rotina. Sim, eu tenho medo de engordar tudo de novo, mas não quero pensar nisso. Quero ser positiva e tentar algo diferente. Torce por mim, dou notícias. Ah, tenho que emagrecer um tanto antes da cirurgia, mas ainda estou na fase de comer tudo o que eu mais amo, antes de começar a emagrecer pro grande dia. 

*** Nomes fictícios


13 comentários:

  1. Os relatos são verdadeiros? São comentários deixados no seu blog?
    Aquilo que digo: todo mundo tá vivendo uma luta diária que não temos noção.

    Essa 1a. necessita de uma terapia já (todos nós precisamos, eu sei) para conseguir se livrar da culpa. Eu aprendi que se eu me fizer de tapete, vão pisar em mim. É a família dela, mas ela tem q investir nela tb, passear, ver o mundo. Enquanto não se amar, não vai ser amada por outro.

    Cada um deles um caso diferente, e me identifico um pouco com cada um em fases diferentes da minha vida. A luta contra a balança é cansativa, desgastante, já me rendi algumas vezes, mas fui à luta outras mais. não é fácil, mas não é impossível.
    Continuo na luta.

    Beijossssssss
    ┌──»ʍi૮ђα ツ

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  2. Oi, tb não entendi o post, mas com certeza as pessoas necessitam urgente de um tratamento psicológico e espiritual. Há caso em que a gente não consegue sozinhas....boa Páscoa!!!

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  3. Relatos verdadeiros, porém sabemos que tudo aquilo que queremos conseguimos e para tanto necessitamos de força de vontade e muita fé. Dietas, nutricionistas, etc é somente para driblar aquilo que estamos carecas de saber...para emagrecer é necessário mudar a alimentação e praticar atividade física...não existe fórmulas milagrosas...até cirurgia pode ser um tapa na cara se o psicológico não estiver preparado. bjocas

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    1. Não vejo o processo como algo tão simples, mas adoraria...

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  4. Eu acho bem emocionante esses relatos! Acho até difícil comentar...
    A gente se identifica, quer dar uma palavra de conforto...
    Acredito que vc transmite confiança, por isso essas pessoas abrem um pouco a vida (e o sofrimento) delas com vc.
    Bjs! =)

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  5. Adoraria conhecer a pessoa do primeiro post, cuja familia depende dela e etc... essa semana tive um "mini-burnout", na verdade mais relacionado a vida pessoal estar afetando a profissional, justamente pelo mesmo problema que ela descreveu: ter pessoas, muitas vezes queridas, muitas vezes familia, dependendo de voce, e voce fazendo ou tentando fazer tudo, e em nao raras vezes, nao ser reconhecida. Quando li o relato dela me senti no exato mesmo lugar, apesar de ser mais nova e nao ser a responsavel financeira por tudo, mas ser a responsavel-quebra-galho-por-qualquer-coisa-que-achem-que-eu-deva-resolver. É como se as nossas personalidades deixassem as pessoas agirem assim conosco, algumas sem intencao de prejudicar, apenas sem nocao mesmo, outras se aproveitando da sua boa vontade. Mas enfim... vou deixar meu contato aqui (concurtudo@gmail.com) pois é sempre bom conversar com pessoas que passam pelos mesmos problemas que nós.

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    1. Vou direcionar sua mensagem. Bom, eu posso falar um pouco por mim, pois a pessoa que escreveu esse relato, sinalizou que me lê há muito tempo e sabe que comigo as coisas são um pouco parecidas. Eu diria que impôr limites - por mais difícil que seja - é um bom começo. Pequenos limites. Limites que podem começar com um simples NÃO. EU, por exemplo, precisei me afastar de alguns membros da família que vieram morar comigo. A convivência se tornou insuportável, acontece. Eu super analisei a minha conduta (algo muito importante a se fazer, inclusive, levei para terapia) e chegamos à conclusão de que estavam abusando da minha boa fé. Sim, em alguns lares acontece. Passei a ter como meta mudar de casa. Economizei muito, junto ao meu companheiro, pois isso virou prioridade. Tente ter suas prioridades de forma clara. Quando estamos nesses embates familiares em que nos sentimos sugados de alguma forma, é fácil "pagarmos" por nossa paz e ficarmos sem nada para dar suporte a nós mesmos.
      Nessa Páscoa eu optei em não receber ninguém - é um exemplo pequeno do que é se priorizar. No meu aniversário eu já tinha recebido, estava me recuperando de uma forte alergia que tomou todo o meu corpo e mesmo assim eles insistiram em vir. Deixei, afinal, eles estavam parecendo "legais"! Organizei algo simples, mas não faltou nada e, para minha surpresa, eles só falavam de como suas vidas estavam horríveis, só falavam do que estavam precisando, do QUANTO estavam precisando, de tudo que estava faltando, de que eu precisava fazer mais e mais e mais... Meu aniversário deixou de ser voltado para mim, para ser voltado para os problemas deles - MAIS UMA VEZ, COMO SEMPRE. Eu me senti tão exausta, que pensei por alguns instantes que teria sido melhor passar o meu aniversário deitada na cama me recuperando e comemorar depois a dois ou sozinha. Quando veio a Páscoa, eles já começaram a dizer que viriam para cá (afinal eu fico o tempo todo na cozinha e os sirvo muito bem), mas eu disse um sonoro NÃO. Não foi em um tom agressivo, mas foi num tom ASSERTIVO: "Não vou receber na Páscoa, pois quero passar descansando do trabalho e não vou fazer nada". Agressividade não leva a nada, já assertividade te faz fazer um discurso tranquilo e seguro onde o centro de tudo é você e seu bem estar. Você sabe que estará se protegendo ou se presenteando com algo que tem total sentido para o seu bem maior. Evidente, que para chegar a esse ponto, já passamos por muito diálogo (que não levou a nada), muitas regras (furadas), muita discussão/briga (que só causam mais dor), então, chega uma hora que você aprende que ser da paz COM VOCÊ, é melhor. Por conta da minha decisão de não Páscoa na minha nova casa, houve protestos (muitos protestos) e chantagens emocionais, mas tudo passa. Passou. Melhor do que momentos em família fake, que se transformam apenas em lamúrias, em pessoas pedindo algo, cobrando algo, sugando algo, sem nunca estarem satisfeitas com nada ou terem um pingo de sensibilidade com você, com o seu momento, com o que você preparou para eles. Não são todos nessa vibe, mas para evitar um ou dois, você acaba tendo que dizer não para todos, infelizmente. Minha Páscoa foi ótima. Cozinhei o mínimo para mim e pra um cara que sei que sempre me elogia e tem um papo ótimo, meu marido. Fiz uma mesa linda, sentamos depois tranquilamente no nosso sofá e lambemos os dedos de alguns poucos chocolates diferentes que comprei para a sobremesa e fim. Foi excelente. A melhor Páscoa de anos. Não foi forçado, não nos reunimos por motivos outros, senão, celebrar aquele momento.
      Existem famílias e famílias. Infelizmente, nem todo mundo tem sorte de ter uma agradável ou apoiadora ou sorridente ou com belas histórias, mas isso não quer dizer que não possamos criar nossas próprias regras para aproveitar a que temos ou que não possamos criar a nossa própria... Seja paciente, seja assertiva, rascunhe suas prioridades e veja se está indo ao encontro delas ou se está dando as costas para elas... Você precisa ser sua melhor amiga! Um beijo

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    2. Amei sua historia, falou tudo. Consegui um pequeno passo nessa pascoa também, depois de muita reflexão e choro inclusive com meu companheiro, resolvi dar um não, chutar o balde mesmo, nos 47 do segundo tempo. E funcionou. Você tem toda razão. Precisamos mesmo ser nossas melhores amigas. Fiquei bem mais tranquila, e agora não "chamo" mais os problemas pra mim e evito me sentir >a< responsável pela solução dos problemas de todos. "Finjo" que não é comigo, até porque não deveria ser comigo mesmo, so estão acostumados que seja comigo porque eu me incomodo e vou la e resolvo. É uma virtude (para os outros) e um defeito (para nós mesmas, nos prejudica e sobrecarrega). Tô amando teu blog. Espero continuar conseguindo tempo pra vir sempre. Beijos! (concurtudo@gmail.com)

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  6. Nós somos um pouco de cada uma dessas mulheres. E isso me assusta muito porque eu não vejo uma real mudança dentro da mente delas. Uma é escravizada pela família, outra tinha amizades que nada a acrescentavam e a outra vai comer tudo o que ela quiser até que chegue o grande dia como se nunca mais fosse comer na vida.
    talvez o problema resida ai. Parei de dar tanta importância a comida, sabe. Penso que quando como pouquinho é uma adaptação para meu novo estômago que será pequenininho...
    Demorou mas eu entendi que a mudança é de dentro para fora.

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    1. Estou tentando também deixar toda essa pompa pela comida de lado, mas para mim ainda é algo sazonal, sabe? Tem períodos em que vou muito bem e períodos que vou muito mal e esse vai e vem, bate rebate, é um pouco frustrante!

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