22 outubro 2015

Autocompaixão

postado por Cottage Regressiva




Eu realmente ando escrevendo e esperando troca significativa com aqueles que tem MUITOS quilos a  eliminar e, que assim como eu, já tentaram de um tudo sem muito sucesso ou vivem na sanfona. Realmente acredito que em algum momento vou encontrar O MEU MOTIVO para mudar.

Conversando com uma amiga ela me alertou para a necessidade deu ter autocompaixão ou seja, necessidade de ser também extremamente gentil comigo mesma. Necessidade de estar ao meu lado independente de circustâncias boas ou ruins. Ainda me disse que autocompaixão é bastante diferente de autoestima, pois essa, por sua vez, pode desenvolver um senso de endeusamento ou narcisismo. A autocompaixão apenas aceita os fatos da vida como são, sem julgamentos pesados e desnecessários que levam a um nível de stress exagerado. Autocompaixão também não é um incentivo para que você se feche na vida como uma ostra. Ela se solidifica a medida que você a pratica tendo compaixão pelos outros. Quanto mais generoso você for com o próximo, mais terá um profundo respeito por si mesmo.

É algo como o exemplo das pessoas que dizem: "família é tudo". Esta sentença só faz sentido para quem realmente tem uma boa família para contar e se espelhar. Afinal, apesar de todos nós almejarmos o mesmo, muitas famílias são completamente disfuncionais, portanto, isso não é condição necessária para sermos menos ou mais felizes que os outros, menos ou mais honestos, menos ou mais qualquer coisa. "Tudo" você tem, se tem compaixão por si mesmo, então, o que estou dizendo é que independente de ter ou não uma boa família, você APENAS ACEITA SUA CONDIÇÃO SEM DRAMA e sai por aí tirando o melhor da vida da mesma forma do que aqueles que as tem. Seu desenvolvimento pode ocorrer independente disso. Claro que ter pessoas as quais podemos contar e confiar pode nos fazer sair à frente, mas se essa não é e nem nunca foi sua realidade, deve aceitar seu mundo cheio de particularidades, que se você observar com gentileza, encontrará meios de simplesmente ser, sem depender de aspectos VARIÁVEIS (que não temos nenhum controle sobre) para se dizer feliz ou não feliz, com sorte ou sem sorte.

O escritor, Wayne Dyer, conta que na época da grande depressão nos EUA, seu pai abandonou a família e sua mãe após ter tentado de tudo, teve que deixá-lo em um abrigo. Ele sofreu, mas passou a aceitar aquilo como um fato de sua existência, então, cada nova criança que chegava chorando - recém abandonada - ele se aproximava e dizia: "Alegre-se, não chore, aqui não é tão ruim, aqui é bom, nós podemos fazer de um tudo, afinal, não há pais aqui para nos controlar".

Às vezes creio que a comida possa ser consumida em excesso, pois não conseguimos aceitar a nossa realidade como um todo. A gente se compara demais com o outro e se acha desafortunado, ruim, sem propósito. A gente se debate demais, pois não aceitamos a família que não podemos mudar; não aceitamos a conduta de determinadas pessoas que também não está em nossas mãos mudar; a gente se debate por não ter dado certo na carreira e fica paralisado imaginando que tudo podia ter sido tão diferente; a gente se desespera com projetos a médio prazo que no final das contas estão mais para ser de longo. A gente quer ter o controle sobre o que verdadeiramente não temos. Então, aceitar essa condição é ser você, é estar com você, portanto, estando com você, JAMAIS ESTARÁ SOZINHO e terá forças para mudar o que for. Percebo que lamentar demais tira nossas forças ao invés de nos ajudar a achar um caminho possível e diferente. Eu estou nesse processo maravilhoso e desejo o mesmo a cada um de vocês. 


9 comentários:

  1. Lindo texto!

    Aceitar, olhar de outra forma que não nos traga dor ou um sentimento de autopiedade paralisante. Com certeza essa nova percepção me vez ter a força que estou tendo hoje para perder o que preciso, cuidar de mim e controlar a compulsão. Seu blog é de grande ajuda, parabéns! Acredito também que cenários e situações nunca são ideiais, mas temos que buscar o que queremos e buscar subsídios para isso, mudando nossos pensamentos e comportamentos. Vamos conseguir, faltam 15 kq para mim, é muito mas acho tão pouco por entender que agora consigo e tenho força para atingir meu novo corpo e nova forma de viver. Sucesso para todas, beijos, Livia

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  2. Lindo texto!

    Aceitar, olhar de outra forma que não nos traga dor ou um sentimento de autopiedade paralisante. Com certeza essa nova percepção me vez ter a força que estou tendo hoje para perder o que preciso, cuidar de mim e controlar a compulsão. Seu blog é de grande ajuda, parabéns! Acredito também que cenários e situações nunca são ideiais, mas temos que buscar o que queremos e buscar subsídios para isso, mudando nossos pensamentos e comportamentos. Vamos conseguir, faltam 15 kq para mim, é muito mas acho tão pouco por entender que agora consigo e tenho força para atingir meu novo corpo e nova forma de viver. Sucesso para todas, beijos, Livia

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  3. É Rachel, trabalhar a autocompaixão é tarefa árdua.
    Quantas vezes não nos autocriticamos como quem critica um criminoso não é?
    Nos culpamos demais pelas condições da vida e não buscamos o entendimento, a autoaceitação, a resiliência.
    Pior, muitas vezes fingimos que temos autocompaixão e nos jogamos no conformismo.
    Como sempre, ótimo texto Rachel!
    =**

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  4. faço terapia há muito tempo, tenho depressão diagnosticada e tals. essa semana tava na terapia e falei pra psi "eu acho que meu pai não quer que eu melhore". isso numa conclusão de muitas conversas sobre a relação dele comigo, ele que atualmente é minha única família e com quem quase não tenho contato. daí veio uma sessão falando de como mexemos numa engrenagem complexa qdo mudamos algo na gente. em qualquer dinâmica com outras pessoas, cada um, cada peça, tem sua função. e muitas vezes um indivíduo que manifesta o erro da engrenagem toda. é a peça que quebra numa coisa que já tava funcionando mal inteiramente. eu quebrei. eu me levantei. eu comecei a melhorar longe do que me fazia mal. em vez de achar que eu tinha CULPA, eu entendi que tenho RESPONSABILIDADE pela minha felicidade. é a coisa que talvez vc tenha chamado de compaixão. eu faço o que posso com as ferramentas que tenho e só eu sou responsável pelo que faço. só que aí um vínculo como de pai e filha, queira ou não, é forte. e eu senti a resistência dela qdo eu me vi melhor. afinal, se tem um "doente", tem que ter alguém "que se preocupa muito, coitada, tenho que ajudá-la". imagina vc tirar de alguém esse "peso" que é se preocupar com vc. tem gente que precisa desse "peso" pra dar um sentido à vida e não olhar pros próprios problemas. qdo a peça "quebrada" resolve sair de cena, cada um recebe seu pacotinho com os próprios problemas pra lidar. e aí vem a resistência. enfim, só um oversharing da minha sessão, mas que eu reconheci em parte do que vc falou.

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  5. sempre leio seu blog, me lembra dos tempo que eu tinha a cabeça mais no lugar e escrevia textos bacanas no meu blog hehehe... há um ano e meio atrás, aconteceram tantas coisas ruins, e quando uma situação ruim terminava, vinha outra, depois outra. Vi que não havia escolha a não ser aceitar e bola para frente. Mas sempre que algo me incomodava, eu largava de mão e nessa altura do campeonato passo por coisas que não posso simplesmente deixar de lado ou desistir delas, preciso aceitar e colaborar para que fique menos pior e seguir a vida. Me deixei muito de lado, engordei 6 quilos e agora estou tentar pegar no tranco de novo, é dificil, mas impossível não é. Os teus textos me ajudam muito, as idéias, enfim, continue nos ajudando. Beijão!

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  6. Rachel acabei de conhecer seu blog, eu também descontava tudo na comida. Aprendi com o tempo que isso só me fazia mal. Hoje compenso em outras coisa, como escrever. E decidi viver um dia de cada vez, sem porque , sem pra que e principalmente sem dar satisfação para ninguém.
    Beijos Karol ( Vivendo Leve)

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  7. Olá Rachel tudo bem ? Sempre me identifico com suas postagens e elas me levam a grande reflexão . Estou aprendendo aceitar a minha condição pois só me aceitando posso mudar o que não me agrada sem me sentir menor e sem ficar lamentando. É um dia de cada vez mas está valendo a pena. Linda semana beijos

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  8. Muito feliz que você tenha se encontrado! Continue nos escrevendo as aventuras de suas descobertas por essa trilha do emagrecimento. Meu blog favorito =)

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  9. Amei o post. Me identifiquei total. Venho de uma família muito complicada. Meu pai é alcoólatra. Ele e minha mãe me maltrataram a vida toda. Depois que me divorciei, há alguns meses, tive que deixar Goiás, onde eu amava viver e voltar pra casa deles em São Paulo. Tem sido difícil, bem difícil. Tenho de conviver com críticas constantes e comentários agressivos. A ponto de um dia meu pai me perguntar se eu me casaria de novo. Respondi que pretendo sim e também voltar pra Goiás ou pra Mato Grosso. Ele me perguntou como e eu, brincando respondi: caso de novo, com alguém de lá. Ao que ele me disse: casa de novo? Precisa ver se alguém vai te querer, né? Primeiro precisa ver se vai ter pretendentes. Chorei muito nesse dia, mas tenho tentado não abaixar a cabeça. Outro dia pedi a uma amiga que guardasse algumas coisas minhas que ficaram lá que depois, quando eu a fosse visitar eu buscaria, pois mandar por encomenda ia custar muito caro. Quando minha mãe ouviu isso disse: você não vai voltar mais lá. Respondi na hora: vou sim!! Não sou sua prisioneira. Estou aqui cuidando da minha saúde e não vou agora porque estou doente e não posso viajar sozinha, mas quando eu melhorar certamente vou visitar os amigos que ficaram por lá.
    Tento me cuidar e fazer coisas de que gosto. Vou à igreja regularmente e lá encontro pessoas dispostas a pedir por mim em suas orações e que sempre tem um abraço e uma palavra amiga pra me dizer. Mantenho contato com amigos positivos, capazes de me dar uma palavra de incentivo. A impressão que tenho é que quanto mais vou melhorando, me recuperando da separação brusca e renovando a capacidade de fazer planos, mais raiva meus pais sentem. São pessoas descrentes, não apenas de Deus, mas das pessoas e da vida. Por mais raiva que sinto, também tenho pena, pois não imagino como conseguem viver sem nenhuma expectativa de dias melhores ou de coisas boas acontecendo na vida deles. Curioso que sempre fui a gordinha da casa. Agora já tenho oito anos de cirurgia bariátrica mas ainda assim perco peso muito rapidamente. Claro que emagreci um pouco nesta situação difícil. É estranho pois vendo-se muito acima do peso e eu tão magrinha, parece que minha mãe sente raiva ao me ver vestir o que quero, comprar um vestido barato e tudo ficar perfeito em mim.
    As pessoas criticam muito quando alguém reclama dos pais, mas é preciso saber: nem toda mãe é cheia de amor. Nem todo pai protege os filhos. Só podemos dar o que temos, por isso muitos filhos sofrem muito nas mãos dos pais.
    Estou me tratando da depressão pela prefeitura daqui, com psiquiatra no CAPS e terapia de grupo na UBS. Agradeço por morar em uma cidade onde o trabalho da saúde mental é de excelente qualidade, melhor do que muitos psiquiatras e psicólogos particulares que já conheci. Tenho metas, planos e projetos. E, por mais cruel que isso possa parecer, procuro ficar o mais longe possível dos meus pais, mesmo morando com eles. Pra quem olha de fora pode parecer ingratidão, mas preciso evitar me expor a pessoas negativas para me recuperar mais rapidamente. E assim, como foi dito nos comentários acima, vou vivendo um dia de cada vez.

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