26 fevereiro 2016

Chega de inferno

postado por Cottage Regressiva


Sabe gente, eu estou começando a enxergar certos lances de outro modo. Não por milagre, mas por passar pelas experiências e não estar permitindo que elas se esgotem sem que eu antes tire uma lição ou alcance um nível de compreensão que me ajude a chegar, no mínimo, no auto-perdão. 

Por exemplo, ontem eu fui ao mercadinho do bairro para tentar comprar carne moída. O açougueiro fatiava os bifes e colocava sobre a máquina de moer, enquanto ele se virava para fatiar mais pedaços, as moscas varejeiras (daquelas verdes que ficam paradas no ar) atacavam a carne que seria moída. Minha vontade foi de gritar e perguntar para o restante das pessoas atrás de mim: Vocês estão vendo isso e mesmo assim vão continuar na fila? Mas me senti uma estranha no ninho. Não de um jeito babaca e esnobe, mas do tipo que sentiu pena do trabalhador, do povo, do bairro, da cidade, do planeta (mais à frente falei tranquilamente com o gerente, que desconsertado tentava me dar a explicação mais atenciosa possível - e claro que não trouxe a carne). Gentileza gera gentileza. A gente não faz mesmo ideia das lutas do outro, então, que lutemos por nossos direitos, mas sem tumulto.

Com o emagrecimento é o mesmo. Eu tirei os doces em outubro do ano passado por uns incômodos físicos que estava sentindo. Em menos de dois meses eliminei 10 quilos. Passei por problemas e dificuldades - que todos passam - e estou aqui, quatro meses sem uma fatia de torta, um pudim, coisa jamais imaginada por mim antes, mas que na hora do medo, fiz um pacto muito nobre (comigo)! Minha meta em 2016 é definitivamente sair dos três dígitos e minha mente fica oscilando impaciente dizendo que não isso ou não aquilo, que está lento, que não estou ainda assim ou assado, mas que bobagem! Está tudo indo bem, dando certo... 

A gente tem que se policiar para saber onde estamos tocando infernos desnecessários. Quando for assim, pare e pense qual o motivo que te fez tomar essa ou aquela decisão. Tenho percebido que sempre tem algo, nem que seja pequenininho, que dá para gente agradecer. O que te motivou a optar por estudar seis horas, se matricular naquele curso, começar aquela dieta, escolher aquele emprego? - Ah Rachel, mas eu aceitei esse emprego, porque não consegui nada melhor. Ah, mas tê-lo aceito te livrou de que males? De não ter a luz cortada? De não depender dos outros?

Que a gente pare de reclamar tanto, tire o melhor de cada experiência e busque evoluir com cada uma delas. Eu vi claramente esses últimos dias que é possível. Acabamos por ser mais humanos com os outros e com nós mesmos. Que a gente tenha força para honrar nossas decisões e, a verdade é que, tudo é passível de mudança e serve como aprendizado. Tudo são fases. Sim, não vejo a hora de me mudar e dizer adeus até para problemas respiratórios que jamais tive por conta da falta de umidade, mas até lá o que eu tenho para remodelar - não nos outros, mas em mim mesma?


4 comentários:

  1. Oi, Rachel! Sim, sou eu!,
    Rsrs

    Cara, como isso tocou em mim. Hoje eu briguei com TODO MUNDO. Hoje eu estava INSUPORTÁVEL. Pó, cara, chega de inferno né? Minha dor não é a única. Olha... Tem situações que são BEM difíceis de lidar... Mas com jeitinho, da!
    Parabéns pela sua escolha, cara... Tanta tempo sem doce... Sério, parabéns! E parabéns pela corridaaaaaa! Da próxima me chamem, vc é dona Nath! Beijao

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  2. Ah,como gosto dos post sobre RACHEL!
    Vc sabe que eu falo merrmo...sem mimimi de auto-nada-ajuda!
    Bom...Parabéns,pela determinação em deixar de comer os doces (comigo só funciona assim também...cortando de vez)
    Só comi doces no meu niver!
    Queria tanto que o Grandão "despertasse" pra vida em querer sair dos 3 dígitos (está com 140 kg)
    Continue focada nos seus objetivos!
    Beijaum

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  3. Como sempre, fantástica a sua análise. Tenho pensado muito nisso em dias, em como muitas vezes nós criamps nossos próprios infernos. A vida tem muitas coisas que fogem ao nosso controle, mas acredito que em relação ao que podemos escolher precisamos escolher ser construtores de pontes e não de muros - frase que ficou em voga nos últimos dias por conta do Papa Francisco.
    E isso vale tb pra gente em relação à gente mesmo. Precisamos aprender a fazer escolhas que nos façam bem, que nos tragam paz, e, depois de fazê-las, precisamos abraçá-las e vivê-las intensamente!
    :*

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  4. Excelente reflexão! Eu tenho tentado ser mais zen. Focar nas minhas decisões e ser mais grata, mesmo nos momentos difíceis. Ainda tô aqui, ainda tenho chance de fazer diferente. Enquanto há vida, há possibilidade. Então bora correr atrás! abraços!

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