01 fevereiro 2017

Peso, cirurgia, body positive

postado por Cottage Regressiva


Muita vida aconteceu nesse tempo que mudei de casa e de bairro. Foi um misto de sentimentos. Me assustei, me encantei, me descontrolei, me recompus, me perdi e me achei. Os dramas com a balança, continuaram os mesmos apesar da conquista da privacidade e da ordem para dois, e eu entendo. Entendo, porque o comer compulsivo é muito mais complexo. E não tem nada a ver com falta de esforço, com falta de interesse, com falta de atitude. Organização ajuda muito, mas o que manda é a cabeça, a consciência, os sentimentos e, acima de tudo, com a forma como você se relaciona consigo mesmo. 

Eu nunca virei as costas para essa minha relação bizarra com a comida, mas não tinha maturidade para entender que é muito mais do que peso descendo na balança, muito mais que o fato de entrar nas roupas da moda, muito mais que tirar foto para o Instagram ou escrever um texto aqui nesse blog com o título "peso sorrindo"! E essa falta de entender e acolher a mim mesma gerou uma inquietação que me levou ao cume máximo dos 147 quilos! Foi um susto. Virei janeiro sabe onde? Sentada em frente ao cirurgião. Ele me explicou que já nem encaminha os pacientes para o psicólogo e que tem preferido fazer pedido de laudo direito para o psiquiatra. Pensei, pensei e cheguei mais uma vez à conclusão de que não é para mim. O psiquiatra pode até ser, mas ainda tenho a certeza de que se não me resolver comigo mesma serei da parcela que volta a engordar. CERTEZA. 

Hoje, já sem alguns desses quilos, continuo me preocupando e buscando saúde, mas a diferença é que o maior entendimento que busco é comigo mesma DIANTE DO ESPELHO. Não tem mais a ver com provar para o outro como sou forte. Fazer bonito na consulta com o nutricionista bam bam bam. Nem mostrar para o mundo como sou segura ao desfilar magra por aí. Não tem a ver com ser mais bonita pro marido, pros vizinhos fofoqueiros, pros amigos ou para o mundo preconceituoso. Tem a ver com o amor que tenho destinado a mim mesma minuto a minuto, dia após dia.

Esse movimento de body positive que vem rolando com mais força por aqui, tem sido um pouco deturpado, em minha humilde opinião. Eu entendo esse movimento como de aceitação (não esperar para se amar e passar creme no corpo só depois que emagrecer 50 quilos), mas NÃO tem a ver com continuar sem visão para a auto destruição (olhar no espelho e preferir achar que é melhor se aceitar, porque tá cansado de tentar melhorar). Entendem a diferença? Body positive, eu tenho entendido como auto amor. Peso não define um ser humano em nada, formato da bunda, muito menos. Esse movimento é: estando ou não estando contente com a forma do seu corpo, continuar se tratando de uma forma legal, generosa, carinhosa, buscando meios TODOS os segundos de ser melhor para você mesmo. É dar um foda-se pro outro que te julga, que tenta te enquadrar, que tenta mostrar que só quem é fitness e come batata doce que tem valor, mas não é cultuar obesidade, que é sim fator de risco pra nossa vida. É focar em você como um ser precioso e batalhar por melhorias, por felicidade, por se olhar e se gostar, independente de qualquer coisa. Que a gente não confunda esse pequeno - grande - detalhe. A vida é muito preciosa para agirmos de acordo com o que achamos que o outro vai aprovar, admirar, opinar... Tem que fazer sentido pra nós. O braço não tá legal, o colesterol também não, então, por uma questão de amor próprio vamos melhorar isso agora. Não precisa se dar valor só quando ele estiver musculoso. O que é diferente de entrar na síndrome de Gabriela (eu nasci assim e vou morrer assim). São pontos absurdamente diferentes. 


4 comentários:

  1. Excelente o que você escreveu, Rachel! São várias coisas ao mesmo tempo. A gente tem que melhorar os hábitos, pois se trata da nossa saúde. Ao mesmo tempo, enquanto não emagrecemos não podemos deixar de viver e ninguém tem o direito de discriminar o outro pelo peso.

    ResponderExcluir
  2. Q lindo....eu sempre fui assim. Nas minhas epocas vaidosa era cheia dos cremes..das mais gordas nem perfume passava. Hj com 100 k mas querendo pesar 80, me permito colocar vestidos make brincos arrumar os cabelos e num é q sou elogiada. Mas sempre me pego pensando em fazer alguma coisa qdo emagrecer

    ResponderExcluir
  3. Adorei essa postagem! Um feliz ano novo muito saudável para você, que está fazendo um lindo trabalho, talvez "invisível" para quem está de fora, mas fundamental por dentro.

    Beijos!

    ResponderExcluir